Falcoaria Online

Bird strike: um problema recorrente

 

Ultimamente temos visto diversas notícias sobre a colisão de aves contra aviões, ocasionando diversos problemas.
O texto abaixo foi escrito pelo piloto Rodrigo Lebsa exclusivamente para o Falcoaria Online!
Boa leitura.

Fonte: http://www.copybook.com/airport/companies/phoenix/birdstrike-prevention-services-gallery/aircraft-windscreen-birdstrike_01

Fonte: http://www.copybook.com

É sabido que os pássaros dominam a arte de voar a milhares de anos. Entretanto, fora de imediato o conflito no espaço aéreo quando o homem decidiu galgar os céus com máquinas mais pesadas que o ar. Desde o primeiro evento registrado no diário dos Irmãos Wright, em 1905, homens e aves colidem, causando um risco tanto a aviação quanto ao ecossistema.

Segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, Risco Aviário é a denominação para o risco decorrente da utilização do mesmo espaço aéreo por aeronaves e aves. No Brasil, foram relatadas 357 ocorrências no ano de 2016 até a data de hoje, o que demonstra a periodicidade desse fato. Esses reportes incluem de avistamentos até colisões, onde 270 deles ocasionaram em adversidades ao voo (decolagem abortada, aproximação perdida ou desestabilizada, entre outros). Mas, por que isso é tão frequente?

A população Brasileira dobrou desde a década de setenta, que causou um crescimento desordenado populacional. Isso, aliada a má coleta pública de resíduos e a necessidade de um local para colocar os despejos contribuíram e muito para um ambiente favorável ao perigo aviário.

Fonte: http://www.vocativ.com/culture/science/birdstrikes-aircrashes-birds-air-disasters/

Fonte: http://www.vocativ.com/

Por mais que existam dispositivos legais, como os Art. 30 e Art. 182 da Constituição Federal, que deveriam impedir que o terreno próximo ao aeroporto não fosse ocupado indiscriminadamente, estes foram ocupados por casas, aterros, vegetação rasteira, árvores de médio ou pequeno porte, entre outros que servem como descanso, proteção, e local para construção dos ninhos das aves.

Um estudo que analisou 3300 colisões reportadas, no período entre 2006 a 2010, no Brasil, indicou que entre as aves que puderam ser identificadas, as de maior ocorrência foram o Quero-quero (Vanellus chilensis) e o Urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus), indicando que há uma correlação entre esses animais e o entorno aeroportuário.

Os Urubus, atraídos pelo lixo, oferecem o maior perigo, devido ao seu tamanho e peso. O choque com um Urubu-de-cabeça-preta que pesa cerca de 1,6 kg, com uma aeronave pequena que voa a cerca de 130 nós (240 km/h) dá um estrago de 3600 quilograma-força-metro. É o mesmo que 3,6 toneladas caindo de um metro de altura. Já na velocidade de um avião de grande porte decolando (250 nós), o impacto é de cerca de 13 toneladas. Em dias quentes, aproveitam de correntes térmicas, voando em altitudes próximas ao circuito de tráfego de aeronaves, o que aumenta o risco de colisões.

Fonte: http://www.copybook.com/airport/companies/phoenix/birdstrike-prevention-services-gallery/aircraft-nose-birdstrike_01

Fonte: http://www.copybook.com/airport/companies/phoenix/birdstrike-prevention-services-gallery/aircraft-nose-birdstrike_01

Já os Quero-queros criam ninhos em gramados baixos, por isso são vistos próximos a pistas em aeroportos que não possuem um planejamento aviário eficaz (vide o aeroporto de Blumenal, apelidado com o nome do bichinho devido a sua quantidade por lá). Eles também atraem espécies predatórias, aumentando ainda mais a quantidade de aves no local.

Devido a nossa fauna diversificada, existe uma variedade de aves que também acarretam em problemas. Técnicas como o remanejamento de vegetação, aterros, abatedouros, ou até mesmo vegetações nativas são constantemente inviáveis devido a situação sócio-cultural da região.

 É aí que entra a falcoaria. Utilizam-se aves de rapina treinadas como o Falcão-de-coleira (Falco femoralis), Falcão-peregrino (Falco peregrinus), o Gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus), entre outras e profissionais especializados que possuem a missão de afugentar e capturar as aves que estejam na região e apresentem risco para a atividade aérea. Essa atividade é de alto aproveitamento, já utilizada há mais de 10 anos em aeroportos país afora. As aves capturadas são identificadas e remanejadas, o que diminui o impacto negativo no ecossistema que outras soluções mais agressivas poderiam causar. Por esses motivos, é uma atividade que vem ganhando espaço nos aeroportos brasileiros e apresentando bons resultados.

Fonte: http://www.sfgate.com/bayarea/article/Aviators-best-friend-on-airport-runways-Falcon-2687427.php

Rodrigo é piloto, formado no curso de Aviação Civil pela Faculdade Anhembi Morumbi, com pós-graduação em Segurança de Aviação e Aeronavegabilidade Continuada pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Rodrigo acredita que a falcoaria é uma ferramenta eficaz que nos permite voar com tranquilidade e segurança.

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Jessica Tulio

Eai pessoal!
Meu nome é Jessica Tulio e sou a redatora do Falcoaria Online. Vou traduzir os textos para o português para que todos possam aprender cada vez mais sobre a nobre arte que é a falcoaria. Estagiei durante 1 ano e meio com educação ambiental e reabilitação de aves de rapina no CeRAS, um setor do Zoo de João Pessoa. Graças a esse estágio, pude escrever minha monografia sobre Educação Ambiental utilizando rapinantes, que se tornará um artigo no futuro. Também faço parte do Falcoeiras BR e sou associada da ANF e da ABFPAR.

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