Falcoaria Online

Perguntas Mais Frequentes por Iniciantes

Parabuteo unicinctus. Foto por Thomaz Callado. III ENF

Boa tarde, galera!
Vimos que muitos iniciantes dos estudos da Arte da Falcoaria geralmente apresentam as mesmas dúvidas. Sendo assim, decidimos fazer um artigo sobre as dúvidas mais frequentes que encontramos no nosso dia-a-dia.
Esperamos que esse artigo sane todas as dúvidas e que, se por acaso surgirem mais, mande sua pergunta para que possamos responde-las em um próximo artigo!
Boa leitura, bons estudos e bons voos!

Parabuteo unicinctus. III ENF

Parabuteo unicinctus. III ENF

1- O que é falcoaria?
É o treino de aves de rapina para a caça de presas em seu ambiente natural, desenvolvendo a tolerância dos rapinantes à nossa presença. O treinamento serve para condicionar (impor condições) para que não seja uma atribulação e dificulte a nossa presença e interação em geral.

2- Qual as aves mais indicadas para iniciantes?
É importante a instrução de um falcoeiro experiente, além da aquisição de artigos e de bons livros que são fontes importantes de conhecimento para estabelecer um bom entendimento da prática da falcoaria em si, após isso, as aves indicadas para iniciantes, reproduzidas no Brasil, são o Gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus) e o Quiri-quiri (Falco sparverius), porque são aves que absorvem o treinamento com mais facilidade e tem maior chance de correção de erros posteriormente.
Links para a leitura dos artigos de cada espécie:
P. unicinctus: http://falcoariaonline.com/fo/parabuteo-unicinctus-na-falcoaria/
F. sparverius: http://falcoariaonline.com/fo/falcoaria-com-falco-sparverius/

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Falco sparverius, III ENF. Foto por Roberto Jones

3- Gostaria de adquirir uma ave de rapina que não está sendo reproduzida ou não consta na lista dos criadouros, como o Gavião-carijó (Rupornis magnirostris) ou o Carcará (Caracara plancus), como faço?
Essas e algumas outras espécies não são comercializadas legalmente no Brasil e somente dois tipos de pessoas têm acesso às essas aves não reproduzidas em cativeiro, são elas pesquisadores e reabilitadores.

4- Quais são as aves disponíveis e a média de preço de cada uma? Como elas chegam até mim?
A seguir se encontra a lista de espécies disponíveis para comercialização e a média de preço correspondente. A chegada até o cliente é a busca direta ou envio através da transportadora aérea mais próxima. Observe também o potencial de cada ave para a presa desejada, não compre uma rapina por seu tamanho ou beleza, mas potencial determinado para a presa de sua região.

Falco sparverius (Quiri-quiri) – R$ 900

Falco peregrinus, Encontro ABFPAR 2015. Foto: Grupo Harpia

Falco peregrinus, Encontro ABFPAR 2015. Foto: Grupo Harpia

Tyto furcata (Coruja-da-igreja) – R$ 1500

Falco femoralis (Falcão-de-coleira) – R$ 1500 (macho) R$ 2500 (fêmea)

Parabuteo unicinctus (Gavião-asa-de-telha) – R$ 2800

Bubo virginianus (Corujão) – R$ 4000

Micrastur semitorquatus (Falcão-relógio) – R$ 4000 (macho) R$ 5000 (fêmea)

Accipiter bicolor (Gavião-bombachinha-grande) – R$ 5000

Buteo brachyurus (Gavião-de-cauda-curta) – R$ 5000

Falco rufigularis (Cauré) – R$ 5000

Geranoaetus albicaudatus (Gavião-de-rabo-branco) – R$ 5000

Buteo nitidus (Gavião-pedres) R$ 5000

Geranoaetus melanoleucus (Águia-chilena) – R$ 9000

Falco peregrinus (Falcão-peregrino) – R$ 10.000

5- Posso comprar um capuz para a minha coruja?
É sabido que a maioria das aves de rapina possuem uma excelente visão, porém, no caso das corujas, seu estímulo auditivo é muito maior que o visual. Elas conseguem focar em apenas um som, ignorando outros que possam estar atrapalhando na localização da sua presa.  O capuz serve para deixar a ave mais calma e até mais focada, impedindo o estímulo visual. Como esse não é o caso das corujas, o capuz se torna inútil. Além disso, a maioria das corujas possui um disco facial, que funciona como uma antena parabólica, recebendo os sons e afunilando-os para os ouvidos da ave. O uso do capuz em corujas iria bagunçar as penas desse disco.

6- Qual a importância de se juntar a uma associação? O que eu ganho com isso?
Fortalecimento da falcoaria no brasil, além de encontrar pessoas experientes dispostas a ajudar e material para estudo da arte. Algumas associações podem te dar descontos em equipamentos, livros, encontros, etc, mas tenha em mente que a ideia de se associar é para você contribuir com a falcoaria no Brasil, não apenas pensar no seu benefício próprio.

Leia mais em: http://falcoariaonline.com/fo/associacoes-de-falcoaria-no-brasil-associe-se/

Mini encontro de Falcoaria promovido pela ANF, 2015

Mini encontro de Falcoaria promovido pela ANF, 2015

 


7- Qual a alimentação das aves de rapina na natureza? As de falcoaria comem a mesma coisa?

fonte: http://crazycritterlife.tumblr.com/post/64431259665/eat-your-heart-out

fonte: http://crazycritterlife.tumblr.com/post/64431259665/eat-your-heart-out

Apesar de aves de rapina utilizadas na falcoaria estarem em posse humana ou em cativeiro (como preferir), ainda sim conseguem alcançar uma dieta próxima a da natureza, se utilizada para a finalidade do esporte na caça de presas diversificadas, porém como essa não é a realidade de muitos de nós, o alimento é o mais próximo disso o possível, utilizando codornas, camundongo e outros alimentos vivos de mais fácil acesso. Quando necessário utilizamos a suplementação com vitaminas essenciais e outros micronutrientes na tentativa de suprir qualquer carência nutricional e aproximar do que eles podem absorver em seu meio natural.

8- Quando eu adquirir minha ave, posso caçar com ela?
A caça no Brasil usando uma ave de rapina é permitida somente em dois casos:
-controle de fauna
-reabilitação
Quer saber mais sobre legislação e falcoaria? http://falcoariaonline.com/fo/58-2/

9- Onde posso achar conteúdo para estudos?
Sites e fóruns nacionais (falcoaria online, por exemplo) e internacionais, páginas do facebook sobre o conteúdo, artigos, livros (Nick Fox, McDermott, David Jones, Mc Elroy, Philipe, etc)

Artigo sobre livros para iniciantes: http://falcoariaonline.com/fo/literatura-para-iniciantes/

10- Quanto tempo e dedicação uma ave demanda?
O tempo de dedicação para cada ave varia de espécie para espécie, porém lembramos que sua ave não é uma ocasião,  trata-se de um animal que está sob sua guarda e responsabilidade. Não existe dia livre sem antes treinar e alimentar sua ave, até as viagens longas de férias, provavelmente, se não houver uma pessoa hábil e confiável para cuidar, será sua obrigação levar e manter a saúde do animal onde quer que esteja,  ou então deixar de viajar.

Beta, Gavião-carijó; Rupornis magnirostris reabilitado pelo Parque Zoobotanico Arruda Camara. Hoje a ave já retornou à natureza.

Beta, Gavião-carijó; Rupornis magnirostris reabilitado pelo Parque Zoobotanico Arruda Camara. Hoje a ave já retornou à natureza.


Mais informações em: http://falcoariaonline.com/fo/voce-quer-realmente-tornar-se-um-falcoeiro/

11- Preciso treinar minha ave todo dia? Por que?
É necessário manter a rotina da ave por motivos diversos, mas os pontos principais são os aspectos físicos e psicológicos. Você tem que lembrar que sua ave precisa ser tratada como um atleta, pesada e com alimentação controlada, alem de um treinamento definidos para seu cotidiano, para que assim você possa fazer uma falcoaria de qualidade manter a saúde de seu animal.

12- Posso comprar ração para alimentar minha ave?
Cada parte da presa é importante para a digestão, como por exemplo as penas e ossos, sendo assim, não existe ração disponível em mercado para aves de rapina, devido a complexibilidade de algo do gênero, além de ser mais oportuno comprar animais e efetuar o abate, entregando a sua ave um alimento fresco e de qualidade.

13- Qual a diferença entre Gavião, Falcão e Águia?
Águias: São todas as aves de rapina de grande porte das famílias Accipitridae e Pandionidae. São imponentes, apresentam boa envergadura, garras bem desenvolvidas, planadoras e especialistas na captura de vertebrados terrestres ou aquáticos. As águias, assim como os gaviões, têm o hábito de construir seus ninhos, o que não ocorre com os falcões. As águias brasileiras se subdividem em quatro grupos: águias-buteoninas, águias-pescadoras, águias-açores e águias-harpias.

Geranoaetus melanoleucus, III ENF. Foto por Arthur Vasconcelos

Geranoaetus melanoleucus, III ENF. Foto por Arthur Vasconcelos

Gaviões: Também pertencentes a familia Accipitridae, são semelhantes as águias mas não tem a mesma imponência, possuindo uma incrível variedade de formas e tamanhos. Gaviões que vivem em áreas abertas possuem asas longas e amplas, ideal para planar; enquanto que gaviões que vivem no interior de floresta apresentam asas curtas e largas, pescoço pequeno e cauda comprida, aerodinâmica ideal para voos ageis e rápidos em meio à obstáculos. Assim como nas águias, as garras são utilizadas para capturar e matar suas presas por perfuração. Os gaviões brasileiros podem ser subdivididos em quatro grupos: gaviões-planadores, gaviões-milanos, açores e tartaranhões.

Saki, Parabuteo unicinctus. Porto de Maceió; Falcontrol

Saki, Parabuteo unicinctus. Porto de Maceió; Falcontrol

Falcões: Já os falcões são todas as espécies da família Falconidae. Possuem porte pequeno a médio, bico curto, olhos escuros, asas estreitas e pontiagudas, silhueta ideal para voos de velocidade e movimentos ágeis. Ao contrário dos gaviões e águias, os falcões utilizam o bico para matar suas presas, apresentam um rebordo em forma de dente na mandíbula que permite seccionar a espinha dorsal de suas vítimas. Os falcões do Brasil se subdividem em três grupos: falcões, falcões-florestais e carcarás.

Falco sparverius, III ENF

Falco sparverius, III ENF

Para saber mais, acesse o link: http://www.avesderapinabrasil.com/classificacao2.htm

14- Voar a ave livre? Mas não corre o risco de elas irem embora?
Embora um bom treinamento possa minimizar situações adversas, assim que você remove os aparatos da sua ave, você automaticamente a reintroduz à “vida livre”, dessa forma, diversas situações podem ocorrer para que sua ave não retorne, como por exemplo o treinamento feito de forma errada, situações onde envolvem variações climáticas (chuva, vento forte e etc), ataque de predadores maiores e etc. Portanto, é sempre interessante possuir equipamentos que te auxiliem na busca pela ave (guizos, telemetria e gps).

15- As corujas não tem hábito noturno? Então por que treinam elas durante o dia?

Tyto furcata, Meia-noite, Fernando Souza

Tyto furcata, Meia-noite, Fernando Souza


Apesar do hábito noturno, essas aves, assim como outras espécies, se adequam ao horário de treino, por vezes podendo interferir no seu rendimento, mas nada alarmante.

16- Como é o lugar para elas descansarem? Elas ficam paradas o dia todo?
Fora o período da muda de penas, as aves ficam empoleiradas, sejam em poleiros de bloco ou arco revestidos por material específico para evitar o desenvolvimento de doenças em suas patas. A necessidade de estarem atreladas a estes poleiros é para que possamos manter o controle de seu peso em dia, evitando a perda de peso por deslocamento, o que ocorreria com toda certeza se estivesse em um espaço maior e desatrelada. Além disso, as aves também não ficam se movimentando muito sem necessidade na natureza, é comum encontrá-las empoleiradas em galhos de árvores, por exemplo.

17- Dá pra fazer falcoaria com corujas?
Para corujas, geralmente usam-se técnicas de falcoaria para o treino, para poder atingir a etapa do voo livre. É possível desenvolver a caça através da falcoaria em qualquer ave de rapina, cujo o objetivo seja caçar presas específicas para aquela especie. Então a pergunta correta a se fazer é, qual ave preciso obter para as presas disponíveis em minha região.

 

 

 

Para saber mais sobre o livro para iniciantes da arte da falcoaria da ANF, visite o link: http://www.anfalcoaria.org/loja-on
Manual sobre a introdução à falcoaria pela ANF: http://www.anfalcoaria.org/por-onde-comear

 

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Jessica Tulio

Eai pessoal!
Meu nome é Jessica Tulio e sou a redatora do Falcoaria Online. Vou traduzir os textos para o português para que todos possam aprender cada vez mais sobre a nobre arte que é a falcoaria. Estagiei durante 1 ano e meio com educação ambiental e reabilitação de aves de rapina no CeRAS, um setor do Zoo de João Pessoa. Graças a esse estágio, pude escrever minha monografia sobre Educação Ambiental utilizando rapinantes, que se tornará um artigo no futuro. Também faço parte do Falcoeiras BR e sou associada da ANF e da ABFPAR.

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